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Caminhos para fora da Depressão


Quando o Espírito de um Ser Humano está Oprimido

Depressão, ou melhor, desarmonia depressiva, está em crescente propagação pelo mundo. Começamos pelo pressuposto de que, atualmente, um em dez habitantes da Europa Central estão mais ou menos afetados por ela. Mas, como lidar com este problema? Quais alternativas de saída úteis existem para os afetados? E como poderiam os parentes reagir sensatamente? 

Estamos nos dedicando a estas questões em uma contribuição de duas partes da Gralswelt (revista Mundo do Graal). A princípio descobriremos o que é mais importante a respeito das causas – e a seguir, sobre práticas-relatadas de caminhos para sair da depressão.

Quando alguém internamente se atira em um “buraco”, perde a alegria e o poder motivador, não pode mais sequer experimentar a dor verdadeira da vida, quando tudo – pensar e decidir, aprender e relembrar – se tornou pesado e a vida é depressivamente incoerente, quando um véu denso cinza se colocou entre a realidade interior e exterior, combinado a uma ansiedade difusa, não mais sendo capaz de alcançar qualquer coisa, então tal pessoa está em um estado mental desconfortável, não apenas peculiarmente, um estranho para si mesmo.

Sua vizinhança imediata também, nossa “agradável sociedade” atual, geralmente sabe muito pouco sobre como lidar com condições depressivas. Não deseja envolver-se com as possíveis causas, muito menos mostra qualquer compreensão ao afetado, nem estende a mão de apoio.

Na maioria dos círculos de jovens, se é censurado, nos dias de hoje, por estar desatualizado dos padrões seguidos, ou como eles costumam dizer, “por fora”. Com prazer e crescentemente, as pessoas contam com anti-depressivos tais como o “Ecstasy”, de maneira a manter-se no ritmo dos outros e, graças a um “alto astral” forçadamente induzido, não atrair qualquer atenção desfavorável.

Mesmo as pessoas espiritualmente orientadas, que se ocupam com conexões alma-espírito e estão tentando alcançar um quadro completo da vida, geralmente ficam completamente sem apoio quando enfrentam um mal depressivo. Eles parecem estar convictos, por exemplo, que tal “distúrbio psicológico” tem que ser “carmicamente condicionado”, que as pessoas relacionadas devem “batalhar” por conhecimento espiritual” ou “devem fazer um esforço no lugar de tomar psico-medicações” – mas é aí que o “bom senso” geralmente se esgota.

E o mundo dos especialistas? Também tem seus problemas neste meio tempo para reconhecer as bases críticas para as doenças depressivas, ou para explicar satisfatoriamente seu crescimento assustador nos tempos recentes.

Depressões Endógenas e Exógenas

Na psiquiatria temos diferenciado por um longo tempo entre dois tipos básicos de depressão, a forma endógena e a exógena. O que formou a base para esta diferenciação foi o reconhecimento de que em alguns casos foi uma predisposição física principal (endógena) que foi fator decisivo para o baixo estado de alma, em outros, no entanto não se dava assim. 

Partimos da pressuposição de que a depressão endógena é causada por desordens químicas no sistema nervoso central, através das quais a falta de determinados “neurotransmissores” no cérebro parece ser principalmente decisiva. Neurotransmissores garantem que a informação seja remetida de uma célula a outra. 

A produção destes materiais de mensagem depende da luz e, portanto apenas se inicia propriamente durante o dia, que é quando a depressão endógena também se mostra em uma “baixa diurna”, sendo então, esta, típica da mesma. Tem sido estabelecido que as tendências físicas em direção a esta desordem são hereditárias e que através de terapias corretas, operando no nível adequado – sendo este o nível físico – melhoras importantes são alcançadas. 

Entre estes são considerados os antidepressivos, não causadores de dependência, e que devem ser adaptados tão precisamente quanto possível individualmente para cada situação pessoal do paciente, ou também terapias especiais de luz e retração de sono.

Não se deve, contudo, permanecer apenas no tratamento por medicações. Uma psicoterapia de suporte deve ajudar a pessoa em questão a encontrar uma posição de responsabilidade consciente, que o capacitará por um lado a aceitar as “fases negras” e lhe dará coragem, e por outro lado, a trabalhar durante as “fases claras” em passos em direção ao desenvolvimento, que são ajustados para sua personalidade.

É diferente com a depressão exógena (ou reativa), que não tem causa física, mas propriamente, tem algumas causas definidas às quais a pessoa afetada reage – por exemplo, um fracasso pessoal, a perda de um companheiro muito amado ou golpes do destino. Em tais casos, a princípio, o nível da alma é afetado. 

Aqui está um caso de determinar o fundo, o porquê uma pessoa renunciou a si mesma ao destino, está desistindo das batalhas da vida, bem como de si mesma; não vê mais qualquer futuro, parece que não lhe restaram forças. Pode-se reconhecer no sistema de origem intermodular, que forma a base da depressão exógena, alguns importantes fios principais, onde se possa começar terapeuticamente.

Nas emoções, podem, por exemplo, existir algumas pessoas (ou coisas) que ocupam muito espaço, e que estão sendo absolutamente “idolatradas” - deve-se pensar na existência: “Sem você, eu não existiria!” – e que, se eles fossem perdidos, deixariam um vácuo, no qual a depressão pode absolutamente proliferar. 

Este perigo natural agiganta-se especialmente se uma pessoa apega-se apenas àquele “ser” (isto se relaciona num sentido amplo, também a um carro, um trabalho ou qualquer outra coisa do mundo físico), mas, ao mesmo tempo, não tem um apego firme no espiritual, não é capaz de sentir qualquer segurança, no sentido de alguma confiança primitiva, pela qual a vida deve ser percebida como sendo válida de se viver.

No entanto, esta diferença clara entre depressões endógena e exógena se tornou questionável nos tempos mais recentes uma vez que diferentes aspectos estão misturados. Mas, acima de tudo, esta diferenciação tradicional não pode explicar o dramático crescimento nas depressões. 

E isto por duas razões: de um lado é sabido que através das gerações é sempre aproximadamente igual a porcentagem da população que é afetada pelas depressões endógenas. As causas físicas hereditárias agem independentemente de quaisquer eventos externos, elas se mostram em tempos de guerra, que particularmente sobrecarregam mentalmente as pessoas, com a mesma freqüência que em tempos de paz. 

Mas, por outro lado, não há também explicações para o notável crescimento do tipo exógeno, significando depressões condicionadas mentalmente. 

Pode-se nesta conexão adiantar que talvez, a maneira com que os membros da sociedade de abundância dos sécs. XX e XXI são corrompidos, esta dependência por coisas materiais também aumenta o perigo de doenças depressivas – ao mesmo tempo, então, pode-se seguramente aceitar sem reserva que, geralmente, mesmo a melhora das condições de vida, a rede de segurança material entrelaçada e social no qual o indivíduo está embebido nos tempos atuais, deve levá-lo a mergulhar em depressões reativas. 

De onde vem, então, este crescimento nos sintomas de doenças depressivas, facilmente determinado pelas estatísticas?

A Dimensão Espiritual

Este enigma apenas poderá ser resolvido conclusivamente quando se reconhecer no ser humano algo mais do que a aparente combinação autônoma de corpo e alma, se também se considerar uma dimensão adicional do espiritual primordial na observação. Por quê?

Se analisarmos a atmosfera que motiva as depressões tão amplamente crescentes hoje em dia, podemos descrevê-la em sua totalidade como passivamente resignada. Já nos jovens, os sentimentos de falta de sentido e desesperança geralmente salientam-se e ansiedades deprimentes a respeito do futuro estão freqüentemente pairando sobre os mesmos, com abatimento e cansaço. 

Mas todos estes sentimentos não os deixam se encaixar dentro dos esquemas físico-mentais endógenos / exógenos. Eles não têm nada haver com as células básicas físicas do corpo humano, mas não são, sem dúvida, também, para ser entendidos como reações da alma. Pois o que pode possivelmente fazer uma pessoa (jovem), vivendo em abundância e segurança, reagir sem esperança e ansiedade a respeito do futuro?

Não podem ser causas externas que levam a tal estado psicológico, tem que repousar em uma origem mais profunda – e localizaremos se dirigirmos nossa visão em direção ao tipo humano real de ser: nosso núcleo mais interno, o ego, a personalidade humana primordial, é o espírito; a alma e o corpo físico são meramente mantos para ele. 

De maneira alguma, portanto, estes agem de forma conjunta automaticamente, sem qualquer “mão” de direção; antes, servem conjuntamente à espiritualidade colocada mais acima. E “servir” significa que o corpo e a alma não estão cumprindo como um fim em si mesmo, mas, mais propriamente, são úteis para um objetivo maior, a saber, o desenvolvimento do espírito, o que significa levar de um estado de inconsciência ao de consciência. 

De maneira a progredir ao longo deste caminho e fazer justiça à individualidade de sua natureza, o que se expressa em um anseio ávido por sua identidade, luz e verdade, o espírito tem que permanecer constantemente em movimento, ativamente batalhando de um objetivo a outro e, portanto, em satisfação às experiências recíprocas, assim como por maior encorajamento, através da significância de sua atividade.

Mas, quando agora, devido a um alinhamento interior errôneo, esta batalha espiritual orientada pelo sentido está bloqueada, então esta “opressão” pode – no mais verdadeiro sentido da palavra – se mostrar como uma “depressão”. 

A vivacidade do espírito, que normalmente arde através do corpo e da alma, permanece inibida, e quaisquer tentativas de dominar esta situação de auto-alienação do cérebro (físico), freqüentemente findam em um cismar ainda mais depressivo.

Enquanto, pois, a harmonia natural do corpo, alma e espírito está, no caso de depressão endógena, perturbada, principalmente a um nível físico, e no caso de depressão exógena há más-reações psicológicas que são decisivas, paralelo a isto, deve ser mencionado um terceiro tipo de depressão, que aponta para o espiritual. 

Com todas estas três formas há sempre a necessidade de lidar com o distúrbio depressivo espiritualmente também. Muitos dos fenômenos típicos de nossa sociedade presente – desde do escape dos jovens através do álcool, drogas e mesmo seitas, à frustração muito difundida do tempo de laser - estão provando o fato de que nossas relações ao nível de vida vêm se perdendo, que cultivamos um estilo de vida, portanto, através do qual a orientação em direção ao sentido e objetivo de nosso núcleo real, o espírito, experimenta frustração séria e duradoura.

Da Perda do Sentido à Depressão

Mas através do quê, as dúvidas a respeito do significado da vida, que devem muito bem ser inseparavelmente vinculadas a toda visão de mundo materialista, se torna patológica?

Esta questão, normalmente, encontra-se fora do horizonte de especialistas, pois em geral, eles não desejam saber a respeito de uma dimensão espiritual significativamente orientada do ser humano, que conecta e eleva o corpo e a alma. Uma exceção louvável, então, é representada pela “Terceira Escola Vienense de Psicoterapia”, fundada por Victor Frankl, a chamada “Logoterapia”. 

Esta coloca que a espiritualidade do homem – “aquela entidade mais elevada, que mais uma vez toma posição na corporealidade e mentalidade, e realmente importa ao ego pessoal de um ser humano” – no centro de todos esforços terapêuticos e ante este fundamento depõe a chamada “depressão noógena” (Nous= espírito). 

Isto pode, segundo Victor Frankl, ser “rastreado originariamente a alguma frustração espiritual, que surge através de uma perda de significado”. E o solo para isto está sendo preparado melhor do que tudo, pela sociedade moderna: “A ruptura com a tradição por volta dos meados do séc. XX, o desenvolvimento tecnológico veloz, com um simultâneo declínio nas condições humanas de vida e, não menos importante, o estado desvinculado do homem moderno, que se tornou solitário em sua egocentricidade, são todos eventos perturbadores que não tenham permanecido sem suas repercussões”, é a opinião da Drª Elisabeth Lukas, que é a chefe do “Instituto sul-Germânico para Logoterapia”.

Nosso modo de vida, portanto, cria um clima especialmente favorável para frustrações existenciais profundamente encravadas. 

E quando as condições da estrutura social em um caso individual choca-se contra certas deficiências mentais, como por exemplo, uma tendência para o vício, uma elevada tendência para ansiedade ou uma fraqueza geral do ego, então a crise-de-significado pode muito facilmente crescer para uma depressão noógena desencadeada – o que não sem freqüência é o caso: cerca de 20% de todas as depressões podem ser descritas como o resultado de uma indolência espiritual, o que é particularmente ampliada através de nosso tipo espiritualmente desorientado de existência. E nisso também reside a razão para o notório crescimento deste mal durante os tempos recentes.

Como Lidar com a Depressão

No pleno conhecimento de todas estas intercomunicações, maneiras de se lidar com a depressão irão também agora ser reconhecidas – e isto vale para o afetado, bem como para os seus companheiros. A partir de todas explicações dadas, por enquanto, deve-se ficar bem claro que declarações abrangentes definitivamente não cabem aqui. 

Depressões, ou melhor, perturbações depressivas, nos forçam a observar estreitamente, pois é importante saber através do que a espiritualidade do paciente está sendo oprimida. Portanto, com sintomas endógenos não se poderá evitar partir do plano físico; mas, em todo caso, a estimulação proposital da espiritualidade é importante para o sucesso do tratamento.

Mas, como estimulá-la? Seria um grande mal entendido pensar que em uma exigência crua (“Recomponha-se, já!”) simplesmente há algo de estímulo – o afetado não pode recompor-se na fase “depressiva”, pois o poder espiritual necessário para tal, não pode ser atingido através do querer, pensar e fazer. É como se o espírito estivesse emparedado e não pode chamar a atenção a si mesmo.

Também, a quantia demasiada de conselhos sobre conexões espirituais (“Você tem que reconhecer o significado por trás de seu sofrimento!”) não ajuda a pessoa afundada em um “buraco de depressão” de forma alguma. 

Bem ao contrário: estorva-o, pois os sentimentos difusos de culpa que são típicos da depressão, são mais ainda ampliados. A opressão da espiritualidade – a qual, como dissemos, permite a natureza da depressão ser descrita – conduz inevitavelmente a uma cegueira-de-valor, a uma competência de julgamento distorcida, desviada, mesmo se relacionando a sua própria pessoa: tudo que é culpável, horrendamente destrutivo permanece no centro da auto-avaliação; habilidades, chances e oportunidades, tudo que for construtivo, contudo, é subjugado.

Deve ser difícil para pessoas que não têm conhecimento de perturbações depressivas de própria experiência colocar-se dentro da situação de amplo sofrimento de um depressivo, que pode até conduzir ao suicídio. Mas, há alguns pontos básicos que devem ser observados quando se lida com aqueles afligidos:

• Como qualquer chamado “Distúrbio Psicológico”, isto também se aplica à depressão: nem o espírito, nem, portanto, o próprio ser humano, está doente ou “perturbado”; ele está, porém - através da causa que for - inibido, impedido em sua habilidade natural de ser ativo. 

Os sintomas depressivos, contudo, pertencem a sua doença. A Logoterapia comenta de forma muito impressionante a este respeito: “A humanidade dentro do ser humano permanece acima das doenças das pessoas; tudo no ser humano – o corpo e a alma, o intelecto e os sentimentos – pode estar doente, mas nunca aquilo que o ser humano realmente é. 

A partir disto um lema básico pode se derivar também para os afligidos: distanciar-se da doença, em lugar de identificar-se com ela! Apenas quando confrontar-se com a doença, poderá manter esta dianteira e conquistar reconhecimento, que irá conduzi-lo adiante.

• Uma vez que a depressão freqüentemente desenrola-se em fases, e o ser humano afetado fica praticamente inalcançável durante a fase depressiva, é importante fazer ativamente uso dos lapsos de tempo saudáveis – talvez para acumular confiança ou também para “processar” sua doença. 

Aqui pode ser o caso de deixar claro para os afetados que a cada ser humano é permitido ficar doente; naquele instante ele deve tomar sua depressão a sério, como uma doença, ele não deve se colocar, como ser humano, em questão por causa disto e, acima de tudo, que fases depressivas são como nuvens, atrás das quais o sol está sempre brilhando; elas passam e a luz aquecedora irá novamente se tornar visível. 

É uma questão para o afetado sem qualquer auto-avaliação (o que, em tal situação, pode apenas ser errado) agüentar corajosamente sob estas nuvens – confiando plenamente de que a luz irá brilhar novamente. “Não vê-lo e nem senti-lo”, escreveu Elisabeth Lukas em um de seus livros, “neste alívio da dor, em lugar algum, até decifrá-lo pelo toque, no entanto, mantê-lo com antenas espirituais na memória, é uma arte – possivelmente a maior conquista de que é capaz um ser humano. 

Uma conquista que conta mais do que uma conquista profissional ou familiar, uma vez que é temporariamente tirado das mãos do depressivo. Esta conquista é seu triunfo pessoal, sua reconciliação com seu destino.”

• Depressivos na maioria necessitam de indulgência e compreensão, pois através da doença eles não podem reagir em relação ao próximo da forma que eles gostariam. Quaisquer censuras devem ser evitadas; elas são completamente desnecessárias, já que se está tentando ajudar.

Pode, algumas vezes, acontecer que uma inevitável fase de depressão endógena seja artificialmente estendida e aprofundada através da dor de um sofrimento experimentado, através da ansiedade de que ele irá repetidamente suceder, através da auto-acusação a respeito da própria inabilidade, ou através do “desespero por conta do desespero”. 

Então, estamos falando de uma “depressão reativa de impedimento” [literalmente], a reação para a depressão conduz a uma maior desnecessária depressão, que deve e pode ser evitada.

Estas regras gerais de como lidar com a depressão devem naturalmente ser seguidas na medida em que elas são exatamente sintonizadas à situação pessoal do afetado e de seu aprimoramento espiritual.
Depressões freqüentemente exigem acompanhamento terapêutico capacitado para que desenvolvimentos dramáticos possam ser evitados. Mas elas sempre exigem uma devoção humana possivelmente mais ampla.

Quando o Espírito de um Ser Humano está Oprimido

Temos que ser claros a respeito de uma coisa: que a descoberta das causas, nos casos de depressão, é possível apenas dentro de limites, uma vez que não estamos em posição de delinear todo o processo físico-mental-espiritual. 

As causas de uma doença podem se tornar claras às vezes, e pode-se gratamente aceitar este reconhecimento, mas freqüentemente não captamos as causas, então, devemos proteger, em vez de apontar, interpretar, cismar ou através de alguma divagação intensa e novamente viver através de experiências passadas, assim vasculhando nas mais profundas fendas da alma.

Na Mensagem do Graal de Abd-ru-shin, encontramos a seguinte pista como ponto de partida central para uma ajuda espiritual ou para a arte de curar a alma: 

“O verdadeiro médico da alma não necessita de derrubadas. Trata-se de descobrir e acordar boas faculdades até então inertes e adormecidas e assim vai reconstruindo. O verdadeiro princípio consiste em proceder à substituição dos desejos falsos por noções básicas espirituais!” (Vol II – cap. 35).

Refere - se aqui, portanto, ao despertar das habilidades dos seres humanos mentalmente doentes, que lá estão em cada caso, mas que freqüentemente estão adormecidas, encobertas, aparentemente mal alcançáveis ou desenvolvidas. Pode-se chamar este despertar instilando coragem na pessoa em questão, a começar com pequenos passos, a despertar o anseio pela vida e pela evolução, mostrando confiança nele e juntos descobrirem maneiras passíveis de ir à diante. 

Há muitos anos atrás, um jovem homem por volta dos seus vinte anos veio ao meu consultório silencioso e totalmente retraído em si mesmo. Ele fixava firmemente a sua frente, sua face se mostrava sem expressão. Nem mesmo quando falei com ele, ergueu os olhos. Perguntei a ele a razão de sua vinda. 

Indiferente e quase mecanicamente ele me reportou o desenvolvimento de sua doença. Após os exames finais escolares ele sentiu esta enorme pressão na cabeça, também uma total incapacidade de fazer algo em sua vida e uma recusa em sair de casa. Ele entrou em tal estado de desespero e confusão sobre isto que ele teve que ser enviado para uma clínica psiquiátrica. Diagnóstico: Depressão endógena e pensamento compulsivo.

Devo rapidamente acrescentar aqui que formas de depressões atualmente não são mais possíveis de serem classificadas tão definitivamente, misturam-se e mostram marcas individuais. Eu iria também encarar o diagnóstico anterior “endogenia incurável” com bastante cuidado. Cada terapeuta, cada ser humano que deseja ajudar o próximo, entende-se estar dando o seu melhor. Quando e se qualquer auxílio e cura realmente se inicia, não se encontra, contudo, em nossas mãos, mas nas mãos de alguém superior.

O paciente tinha neste ínterim começado a estudar biologia e ecologia, interrompido por várias estadias na clínica. Ele era um estudante muito bom, com os maiores padrões de realização, quase super-humanos, o que por um longo tempo exerceu tal pressão nele, que ele foi incapaz de realizar os exames finais. 

Ele também se submeteu a tratamento psico-terapêutico regular e, incluindo o meu, sem qualquer envolvimento mais profundo e, bem como havia ouvido destes, todas as chamadas causas de sua doença: figura paterna sufocante, complexo de Édipo, complexo de castração e muito mais.

Ouvi pacientemente até que ele chegasse ao final de suas explicações. Então lhe perguntei cuidadosamente se este conhecimento analítico dos sintomas tinham sido de alguma forma de ajuda para ele. Ele respondeu que não. Eu então continuei que me parecia que era como se seu cérebro, seus pensamentos estivessem pesando para baixo, como numa pesada pressão, mas que bem no fundo, dentro dele, algo se movia, que estava desesperadamente desejando viver, mas era impedido de fazê-lo. 

Foi então que ele ergueu seus olhos pela primeira vez e olhou para mim: “Sim, isto é o que eu quero. Eu quero viver”. Só com o que foi dito eu realmente o alcancei.

Ele vinha de tempos em tempos para a terapia, nós trabalhamos entre outras coisas, em alguma forma de terapia física, por causa do peso em sua cabeça. E quando ele estava interiormente alcançável, podia-se sentir seu grande amor pela natureza, a qual também o fez decidir-se por aqueles estudos. Eu o encorajei a sair sempre que sentisse aquela pressão, não para analisar as árvores de acordo com o tipo ou grupo, mas apenas para percebê-las, realmente senti-las.

Apesar de que ele ainda tivesse fases depressivas, porém em intervalos maiores, ele foi capaz de completar seus estudos neste ínterim e com seus colegas tem agora construído um centro da natureza, de onde passeios guiados à natureza são programados para escolas e outras partes interessadas. Ele o faz com grande comprometimento e genuína habilidade.

Quando, após uma fase longa, ele veio até mim recentemente, eu pude lhe dar o nome de um psiquiatra muito competente, que poderia equilibrá-lo bem com medicamentos, ou seja, sem excesso de remédios. Afora isto, eu questionei-lhe o que exatamente, durante este tempo tão difícil, teria mantido ele vivo – ele teve realmente que lutar com sua vida. Ele respondeu: “Meu amor pelas borboletas”. Eu estava arrasado; que naquele homem grande, áspero, aparentando quase um brutamontes, estivesse escondida tal ternura.

Aqui estava um ser humano que, apesar da grave doença, seguiu o desafio do sentido da vida. Apesar da severa limitação, deu espaço para o anseio de viver. Naquele momento a radiação auxiliadora que permeia toda a Criação, pôde alcançá-lo e ele recebe o poder de suportar todo aquele peso até que ele fosse superado.
Esta dedicação a algo ou alguém ... amor ... é o grande poder opositor contra a depressão por ser capaz de dentro, do espiritual, romper e radiar através da parede bloqueadora. Com este conhecimento, a dificuldade, as fases negras, são mais fáceis de suportar e podem ser superadas.

Eu encontrei ainda outro caso de depressão endógena, que surgia em fases apenas, em um homem de aproximadamente 50 anos de idade, o qual fazia um bom uso destas fases desde a juventude. Ele costumava e ainda costuma se retirar do mundo, se enfurna e evita o contato sempre que possível. Ele vive com sua esposa e filho é líder em um instituto. 

Ele se dedica o melhor que pode, mesmo durante os tempos difíceis, enquanto sua mulher e filho têm que freqüentemente com seu descontentamento, suas constantes críticas, ponto de vista negativo e, em parte também, agressividade. 

Com ele um ajuste mais exato na medicação produziu uma real melhora. E, durante as fases saudáveis, quando ele estava internamente alcançável, nós resolvíamos muitas coisas, especialmente, passo a passo, como ele poderia viver dentro do que realmente esperava, e entre outros, e o que regularmente requeria. 

E não com aquela expectativa exagerada anterior o que não é realisticamente alcançável.
Em seus afazeres, ele esteve certa vez frente a uma tarefa que o amedrontou muito. Ele teria que organizar uma grande festividade no instituto, por ocasião do 75º aniversário de seu chefe, a qual, com diferentes palestras, deveria se estender por um determinado número de dias. 

Ele desejou pensar em uma desculpa, encontrar uma razão para que não pudesse tomar esta tarefa, pois estava certo que não poderia com ela. Dito isto, eu percebi que ele tinha muito carinho por seu chefe. Eu coloquei para ele, que certamente há como lidar com todo este problema, quer dizer, que ele use suas capacidades em razão da afeição pelo seu chefe – oferecendo seu comprometimento como presente - e assim dizer: “Se você se superar para fazer isto, você ira se esquecer de você mesmo e da sua fraqueza e aí será quando você será bem sucedido!”. 

Esta era minha opinião. E foi como aconteceu. A este fato, adicionou-se que havia este grande ganho interior, ter dado um presente a alguém e ter executado a tarefa com sucesso.
O importante médico da alma, Viktor Frankl, freqüentemente aponta que felicidade, alegria, sucesso são apenas efeitos colaterais. 

Não podemos nos esforçar por obtê-los ou forçá-los; preferível é que apenas emirjam como um presente inesperado, quando mostramos absoluto comprometimento a uma pessoa, causa ou tarefa.
Na primeira parte deste estudo, enumeramos as depressões já descritas, as quais estatisticamente parecem permanecer constantes, e também aquilo que Viktor Frankl chama de depressão noógena (nous = espírito), cuja incidência tem visto um dramático crescimento nos últimos anos. 

O que temos que entender com isto é a frustração espiritual de um ser humano que está em desespero, que não está vivendo de acordo com sua natureza realmente própria, verdadeira e essencial, que conseqüentemente sofre sob seu vazio interior e exterior de sua vida e não satisfaz o anseio de seu espírito por um preenchimento significativo.
Nós, seres humanos, necessitamos de sentido. 

O anseio por isto freqüentemente mostra-se por um mal estar interior, que geralmente confunde-se ou distorce-se e através de alguma satisfação externa, pode induzir a um vício. Ouçamos a este distúrbio como uma expressão de nossa voz interior, que se revela como o chamado e a busca de nosso espírito pela conquista de um sentido e um re-encontro com uma Vontade superior!

“Você, homem terreno, está aqui nesta Criação para encontrar a felicidade suprema! Na Palavra Viva que Deus fala a você! E para entender esta Palavra, aprendê-la, e sentir interiormente a Vontade de Deus nela – este é o seu objetivo durante sua jornada através da Criação. Na própria Criação a qual você pertence, encontra-se a explicação para o propósito da sua existência, e ao mesmo tempo, também, o reconhecimento do seu objetivo! Em nenhuma outra maneira você poderá encontrar também.”

“Isto exige que você viva a Criação. Mas você apenas é capaz de viver ou experimentar o que você realmente conhece”. Está escrito na Mensagem do Graal (Vol I – cap. 34).

E Elisabeth Lukas expressou algo parecido com suas palavras: “no início é a exigência impetuosa trazer sua realização à realidade externa da Criação, colocada em suas mãos, a mais íntima imagem que foi exalada em nós e assim cumprir o sentido de nossa existência”.
Como este sentido aparece de forma mais concreta para cada ser humano individual, ninguém pode ditar ao outro. 

O terapeuta, também, não pode ditar sentido ao seu paciente, mas pode juntar-se a ele numa buscar para estimular, sempre de acordo com as habilidades específicas, o chamado correspondente por sentido e encorajá-lo em sua realização, pois as respostas relativas ao alcance de um sentido pessoal repousam no fundo da alma do próprio ser humano individual. Este chamado por um sentido está sempre para ser encontrado no presente, no respectivo momento.

Crises de sentido, frustração espiritual que levam à depressão são habitualmente acompanhadas por características neuróticas. Um exemplo disto a partir da prática:

Uma paciente por volta dos seus 40 anos sofria dos mais variados tipos de ansiedade, insatisfação, instabilidade, descontentamento depressivo e incontáveis sintomas físicos, tais como, restrição do peito, dificuldade respiratória, etc. Inquirindo-se parecia que ela tinha de tudo: uma casa que foi um presente de seus pais, um marido compreensivo, bons filhos, uma ocupação como professora desejada e escolhida por ela, incluindo um seguro desemprego, pais que cuidariam das crianças, poder-se-ia dizer, tudo que poderia desejar. 

Ainda assim, ela estava insatisfeita, e via sua vida como sendo vazia. Como isto pode ser possível?
Aqui, novamente, Elisabeth Lukas: “Um ser humano não está só neste mundo, e seu próprio bem estar não pode ser a única razão para viver”.

Aqui o conhecido “vazio-de-valia” ocorreu - um “vazio existencial” - (Frankl). Nada é particularmente interessante para esta paciente, com exceção de seu próprio bem estar. Tudo que não dá suporte para este bem estar é rejeitado e visto como demanda exagerada. Mesmo o que era até então gratificante, a escola, na qual ela podia esquecer a si mesma de muitas maneiras, está vagarosamente sendo atingida por este vazio. 

Até então, era possível para ela evitar todas as exigências desagradáveis, outras exigiam muito dela, ela vivia numa zona de proteção, mas sempre de forma infeliz. Relutância crescente e falta de desafio é enfraquecedor.

Ela mencionou certa vez que preferiria largar tudo, deixar o marido e os filhos e estar completamente consigo mesma, apenas para ser livre de uma vez. A liberdade pode ser alcançada desta forma? Nunca, pois a liberdade apenas pode ocorrer na relação com algo ou alguém. Contudo ela está atando a si mesma, está claro, pois ela se concentra apenas em si mesma e em seu próprio bem estar.

Perguntei-lhe como seria se seu marido viesse hoje e lançasse sobre ela repentinamente o fato de que ele a estava abandonando porque não suportava mais ficar com ela. Agora o mundo de repente pareceu diferente e ela começou a notar que há valores importantes em sua vida, apesar de que até agora ela não teve oportunidade de reconhecê-los, porque voltava-se apenas em satisfazer suas próprias necessidades. 

Encarei-lhe com a possibilidade de que seu marido certamente poderia deixá-la um dia desses, pois também ele tinha este sentimento de que a relação se tornou vazia e sem vida. Qualquer relacionamento é como uma planta, necessita de água e iluminação, do contrário murcha. Nisto encontramos aquela significância de apelo concreto, na qual ela se preparou para voltar-se à ação.

Gostaria de trazer ainda um último exemplo: Novamente uma mulher, seus 30 anos, casada, dois filhos, empregada, e minha paciente por cerca de nove meses. Quando veio até mim, ela estava depressiva e sem direção. Durante toda sua vida, ela seguiu a decisão dos outros; aos 20 ela ficou grávida e casou-se com o pai da criança, pois era o que se fazia. A ocupação desejada por ela, o pai proibiu, então ela foi trabalhar no que ele queria para ela. 

E assim foi, ela fez tudo que esperavam dela; não sabia nada de decisões pessoais – fazer e formatar sua vida. Ela tentou culpar as circunstancias por sua situação presente. Eu tive que explicar lhe sua própria parte em tudo isto. Que era deixar que os outros tomassem decisões em seu nome. Uma grande aberração espalhou-se dentro dela: O chamado “auter-ego”, significando as normas externas, tomou lugar da consciência. Ela não podia mais perceber a voz interior do espírito, que nos diz o que está “certo”. 

Estávamos de acordo que ela deveria agora começar a procurar seu próprio caminho e andar sobre ele o que quer que possa parecer. Repentinamente ela disse: - Eu não sei o que estou experimentando, eu não sinto nada. Mas mostrou-se aqui também que a crença em um ser humano, em suas habilidades interiores, é capaz de despertar estes sentimentos...

O casamento vacilou por alguns anos. Ele queria mais dela do que ela podia dar. Seus esforços por uma mudança nesta situação permaneciam sem sucesso. Mas, durante uma noite, ela encontrou internamente o ponto em que ela pôde examinar a conexão entre seu marido e o distanciamento. 

O grande desejo de ambos no início do relacionamento, esta necessidade de um pelo outro, tem sido a base de seu casamento. Ela sente uma grande gratidão por seu marido que tem estado tão claramente ao lado dela. Mas ela também reconheceu que ela não o ama, nunca amou. Um pressentimento inconsciente vem agora, após todos estes anos, uma certeza. 

De repente ela pôde encarar esta verdade e pôde encará-la, sem se culpar. Ela está aliviada. Apesar da situação difícil, seus poderes interiores estão libertos novamente; ela se tornou mais ativa, livre, clara. No momento certo ela falou com seu marido, expressou sua gratidão e também a importância de sua conexão com ele. Ele também, subconscientemente sentiu isto, mas não queria acreditar. Ambos estavam lutando no lugar errado. 

Apenas a confissão do que é genuíno e verdadeiro nos permite realmente encontrar soluções. Ela pode sentir a urgência para agir a partir da convicção e com responsabilidade, sem causar danos à outra pessoa. Devem em conjunto encontrar uma solução para a família, pois apenas é apropriado aquilo que fizer sentido para todos os envolvidos. Com a nova clareza adquirida e a confiança, que algo genuíno carrega, estou certo que juntamente eles encontrarão uma maneira adequada.

Como terapeuta, somos convocadas a dar aos pacientes, especialmente aos depressivos noógenos, “um novo convite para ser tornarem seres humanos reais”, como coloca Elisabeth Lukas. Para estes, ela especialmente lista três aspectos:

• dar-lhes coragem para dar uma partida, tomar outro caminho;
• motivá-los a dar uma olhada em quaisquer possibilidades que possam existir, pois: “O significado se revelará vez por outra, em todo lugar, tão reduzido quanto nossa circunstâncias possam ser; apenas temos que contribuir um pouco olhando, escutando e percebendo. E temos que dizer sim para o que quer que tenhamos visto, escutado e percebido. Quem quer que se feche e permaneça na negatividade irá definhar num vácuo”;

• despertar sua confiança, acreditar neles, e crê-los capazes de fazer.
Então, apenas lhes possibilite; irão crescer gradualmente em confiança e experimentar em si mesmos que, quando a necessidade for mais intensa, o auxílio de Deus estará também próximo a alcançá-los.

Autora : Susanne Barknowitz

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