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Utilizando o Sexto
Sentido
A expressão “sexto sentido” é geralmente aplicada para designar fenômenos como clarividência e faculdades similares, que podem ser classificadas como “extra-sensoriais”. Uma vez que poucas pessoas são capazes de praticar a clarividência, cada um de nós normalmente é capaz de usar um “sexto sentido” próprio, que é aplicado no dia a dia.
Em um artigo do “Gralswelt”(Revista Mundo do Graal-Alemanha), o Prof. Dr. Dieter Malchow intitula este “sexto sentido” de “percepção intuitiva”, e relaciona-o a conceitos tais como “intuição”, “inspiração” e “sensibilidade”, mostrando como é importante desenvolver e manter nosso “sexto sentido”.
Um "sexto sentido" é geralmente atribuído aos animais. Enquanto estes têm sentidos mais aguçados do que o ser humano, também possuem habilidades que vão além dos cinco sentidos normais. Antes de catástrofes naturais tais como terremotos, por exemplo, animais e suas crias irão, via de regra, abandonar suas habitações e se manter em campo aberto.
Os humanos observaram esta conduta incomum e seguiram seus exemplos, salvando, assim, muitas vidas. Há relatos de cães que foram separados de seus donos e encontraram suas casas após viajar centenas de quilômetros. Designamos tais habilidades de instinto, apesar de não estarmos bem certos do que instinto venha exatamente a ser.
Muitos humanos têm, também, habilidades especiais.
O clarividente pode perceber coisas escondidas por outras pessoas, seja o conteúdo de um envelope ou ainda o sintoma de uma doença de um indivíduo. Não é a proposta deste artigo abordar tais habilidades. Serão abordadas, preferencialmente, as faculdades que cada um de nós possuímos. São estas, a intuição e a percepção intuitiva, também chamadas voz interior.
Esta última é ignorada pela maioria de nós em larga escala e por esta razão é normalmente difícil distinguir a evidência de sua presença a qual varia intensamente entre as pessoas. Assim, como nos referimos a respeito dos demais talentos – o que não é utilizado irá atrofiar ou permanecer sem desenvolvimento.
Mas, porque o "sexto sentido" deve ser desenvolvido? Como pode ser verificado nos exemplos seguintes, ele dá valor à vida.
A Intuição
(Extraído de “Practical Intuition”- autor: L. Day)
Um médico tinha pouco tempo para o almoço entre o último paciente da manhã e o primeiro da tarde. Enquanto tomava um rápido lanche, ele visualizou sua próxima paciente, a qual era nova para ele, e teve um pressentimento de que havia algo de errado com sua glândula tireóide. Fez então uma nota mental para que esta fosse examinada, mesmo não havendo nenhuma queixa neste sentido e aquela se tratar apenas de uma consulta de rotina para um “check up”.
Apesar de que a paciente aparentava estar bem saudável, o médico encontrou valores baixos nos hormônios da tireóide muito suspeitos e o radiologista detectou um pequeno e quase invisível granulo de tecido endurecido.
Um segundo exemplo do mesmo autor. Uma atriz de cinema estava aborrecida pelo fato de que, enquanto ela se dedicava ao máximo entre representar seu papel no filme e auxiliar ao mesmo tempo na produção, o diretor e os outros atores não pareciam estar se dedicando muito. Exasperada esta se retirou ao seu trailer, batendo a porta atrás de si. Enquanto se sentava e pensava um pouco, ela repentinamente viu uma nítida cena dos rapazes fazendo piadas, dando risadas em extrema camaradagem.
Sorrindo, ela reconheceu aquelas pessoas da cena como sendo seus colegas e intuitivamente percebeu que ela quem deveria ser a pessoa a encorajá-los a dar de seu melhor. Naquela mesma tarde ela passou a agir mais alegremente e todos imediatamente se agradaram disto.
Mesmo os colegas com os quais ela previamente tinha menos contato tomaram parte da recém estabelecida camaradagem, e todos envolvidos no filme até hoje comentam o quão divertida e harmônica foi a experiência daquele tempo.
(Extraído do livro “A. Kekule” - autor: R. Anschutz)
O terceiro exemplo ilustra como uma percepção intuitiva pode se seguir a uma concentração intensa a respeito de um problema. Auguste Kekule, um químico, buscou por um longo e difícil período pela estrutura molecular do benzol.
Após ler e reler seus apontamentos, sentiu-se cansado e não conseguiu encontrar uma solução. Resolveu, então, se sentar confortavelmente defronte à lareira e cochilou. Fileiras de largos átomos pareceram dançar defronte a ele; pequenos grupos caindo para segundo plano. Ele descreveu como os olhos do espírito, vendo tais figuras mais claramente, e distinguiu formações maiores de natureza mais complexa.
Colunas longas, interconectadas, estavam se enrolando e retorcendo tal como uma cobra. De repente uma das cobras engoliu sua cauda, girando zombeteiramente ante seus olhos. Ele acordou repentinamente, como que atingido por um clarão. A cena ajudou-o a reconhecer que a estrutura molecular que ele buscava poderia ser em forma de anel. E tal era o caso.
A “Visão Interior”
Kekule falou de “olho espiritual” enquanto outros autores usam o termo “olho interior”. Para entender estes termos nós devemos considerar o corpo como um todo. Seu núcleo, o espírito humano, e envolvido por numerosos mantos, cada qual originando de planos pelos quais o espírito passa a partir da sua esfera de origem em direção à Terra e, portanto, de diferentes naturezas.
Com a morte física, o manto exterior, o corpo, é descartado, e o espírito, acompanhado dos mantos remanescentes, fica conhecido como alma humana. Cada um desses mantos possui órgãos sensoriais e os olhos interiores dos mantos interiores. Cada um destes é progressivamente mais delicado e nossos dispositivos de medição não são sensíveis o bastante para detectá-los.
Da mesma forma que o campo da visão física é limitado para a percepção de certos comprimentos de ondas, os olhos dos mantos são adaptados para outras freqüências, no além. Os olhos interiores percebem as adjacências mais tênues dos outros planos do que a Terra.
Inspiração (como parte da intuição)
A autora do livro “Practical Intuition” adormeceu como passageira em um carro, quando repentinamente ouviu a voz de sua mãe: “Aperte o cinto, agora!”. Apesar de sonolenta, ela obedeceu. Um pouco depois, o motorista bateu contra um caminhão. Como ela havia apertado o cinto, ela ficou relativamente ilesa. Sua mãe havia morrido 12 anos antes.
(Extraído do livro “Quando Milagres Acontecem” – autor: J.W. Anderson)
Sempre que Roberta dirigia, ela se mantinha atenta ao carro do pai. Ele apenas dirigia em curtas distâncias por causa de sua saúde fraca. Um dia ela viu um carro estranho parado ao acostamento e, já que não reconheceu o motorista, estava prosseguindo, quando algo a fez parar.
O motorista não conseguia dar partida no motor, pois a bateria estava arriada. Roberta encontrou um conjunto de fios soltos e o motorista para demonstrar sua gratidão pela ajuda dada, buscou por sua carteira. “Não há necessidade disto”, sorriu Roberta, “mas, certifique-se de ajudar o próximo motorista em apuros”.
Quinze dias após o ocorrido, seu pai ligou para contar como ele teve um pneu furado e o mesmo homem parou para ajudá-lo. Mesmo que o desconhecido pudesse ter oferecido ajuda de qualquer maneira, Roberta sentiu uma intensa relação de que segurança de seu pai ligava-se indiretamente ao auxílio prestado.
Do mesmo livro vem um exemplo de uma criança sendo mais sensível do que seus pais. Bobby e seu pai visitaram a mãe no hospital onde (apesar de Bobby não saber) ela havia sofrido um aborto. Ao entrar na ala, Bobby escalou ansiosamente a cama dizendo: “Não fique tão triste, mãe, daqui a um ano você terá outro bebê”. Ele não sabia dar uma explicação a seus pais do porquê ter dito aquilo, mas o certo era que, um ano depois, a mão de Bobby teve uma menina.
Possivelmente, tanto a mãe como o pai de Bobby estavam tão angustiados, que eles se fecharam para as sensações de consolo às quais seu filho estava receptivo. Talvez a audição interior de seus mantos mais finos regrediu e ficou incapaz de ouvir.
Isto pode ocorrer se, por exemplo, a idéia de vida após a morte é rejeitada e uma indução delicada que oferece evidência da continuação da vida não é reconhecida. A voz interior que todos temos é parte de uma faculdade que às vezes falha no desenvolvimento e atrofia.
A Percepção Intuitiva
A atividade intelectual é derivada do cérebro, que pertence ao corpo, enquanto a percepção intuitiva é uma expressão do núcleo mais íntimo, o espírito. Este último serve-se do corpo até a morte, mas é capaz de expressar sentimentos, tomar decisões e agir por conta própria.
Portanto, como relatado acima, a falecida mãe da Srª. Day foi capaz de enviar-lhe um aviso. Enquanto o cérebro, cuja atividade cessa com a morte terrena, necessita de tempo para pensar e tomar uma decisão, a percepção intuitiva é tão rápida quanto a luz, repentinamente apresentando um quadro ou uma sensação de urgência intensa.
A percepção intuitiva é sensível às emoções, tais como alegria, mágoa e amor. Como características do espírito, as virtudes principais são mediadas pela percepção intuitiva. A força interior, a alegria e a jovialidade que surgem a partir da prática destas virtudes, originam-se da conexão do poder espiritual de cada um destes, que se ancoram na Criação.
(Extraído de “Carta sobre a Virtude” – autor: A.J.J Rousseau; 1998)
Jean-Jacques Rousseau escreveu nesta matéria: “A virtude é aprendida exclusivamente a partir de dentro e não pode ser atingida se uma compreensão não vier do coração. Feche todos os livros, busque o silêncio e escute a voz interior que fala ao coração. Pratique a virtude que então você conseguirá entender o que significa ser virtuoso”.
Aprendemos da percepção intuitiva o que o ego de fato deseja. Uma sensação calma ou intensa é percebida urgindo quando uma determinada atitude deve ser tomada. Se a atitude é então tomada de acordo com nossa vontade interior, esta gera, portanto, grande prazer. Se a atividade não corresponde com a vontade interior não há harmonia, nem alegria e o espírito não se sente elevado.
Um exemplo de como a percepção intuitiva pode influenciar nossas ações é dado pela experiência de Henry Dunant o qual, durante uma viagem de negócios, achou-se entre os mortos e feridos ao longo da batalha de Solferino, com a qual a França conquistou a Áustria.
A sordidez mexeu, então, tanto com ele, que este não só ajudou a confortar e cuidar das vítimas, mas também encorajou alguns espectadores a fazê-lo. Ele obteve sucesso em persuadir a França a livrar os médicos e os assistentes médico-hospitalares da prisão.
Por seu exemplo em ajudar tanto os aliados como os inimigos feridos, ele impressionou as mulheres italianas a ponto destas passarem a socorrer os feridos também. Percebendo, a partir da experiência, que a ajuda humanitária não deve ser relegada ao acaso, mas organizada internacionalmente, com o apoio de outros, ele fundou a Cruz Vermelha.
Seus sentimentos de horror ao acompanhar a batalha foram tais, que ele relegou os interesses de negócios em favor de servir exclusivamente, como que se fosse guiado por suas percepções intuitivas. Isto indicava que as condições de necessidade não eram meramente temporárias, mas surgiam continuamente, a menos que um acordo internacional fosse alcançado.
Estas metas, que fixamos ao longo dos vários estágios da vida, devem idealmente vir a partir da percepção intuitiva. Nosso núcleo mais interno, o ego, origina-se da esfera espiritual, com o qual através de sua natureza virtuosa, o espírito humano pode atingir um poder espiritual e assim pressentir o que é mais adequado para seu aprimoramento.
Através do espírito podemos antever eventos expressos de forma figurada, a partir de um patamar superior. Enquanto praticarmos as virtudes acima mencionadas, nós podemos alcançar a conexão entre as Leis da Criação e visar o desenvolvimento de nossas qualidades espirituais.
Autor : Dieter Malchow
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