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A Vida após a Vida

Entrevista com Dr. Moody

Raymond Moody Junior, MD, Ph.D, é o pesquisador mais conhecido do mundo do assunto sobre experiências de quase-morte. Seu best-seller, Vida após a Vida, teve sua primeira publicação em 1975 e vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo. Ele foi o autor de mais outros nove livros sobre este assunto. Nessa entrevista, Dr. Mood descreve algumas das experiências de "quase-morte" descritas em seus livros.

"Eu tive uma experiência maravilhosa, em 1965, quando eu ouvi, pela primeira vez na Universidade de Virgínia, histórias de milhares de pessoas que retornaram à vida após quase estarem mortas. Essas pessoas estavam muito doentes e, em muitos dos casos, eram declaradas clinicamente mortas pelos médicos e, de repente, voltavam à vida e recordavam suas experiências de quase morte. 

E essas pessoas tinham histórias fenomenais para contar sobre o que aconteceu neste período de tempo. Mas, principalmente, essas pessoas disseram que essas experiências transformaram suas vidas de forma radical e passaram a encarar a vida com outros olhos.

Basicamente nós aprendemos que o que os médicos e psiquiatras de todo o mundo reportavam apresentavam quase as mesmas características de experiências vividas pelos pacientes que estavam à beira da morte, independente de suas religiões, culturas ou níveis sociais. 

Quando seus corações paravam de bater, ou eles ficavam em situações muitas próximas da morte, eles relataram que tiveram uma mudança radical da perspectiva de sua situação e, conseqüentemente, sentiram que sua consciência interior foi transportada para fora de seus corpos.

Esta se elevava, e neste ponto de vista podiam realmente ver os médicos e outras pessoas mexendo em seu próprio corpo, tentando ressuscitá-lo. E eles dizem que, nesta situação em que estão fora de seus corpos, eles podem ver tudo claramente e, além disso, elas disseram que não é uma visão como eles estavam acostumados a ter, como eu e você, mas é incrivelmente mais clara. Inclusive, nesta situação, o entendimento da situação era muito mais rápido. 

Uma enfermeira contou sobre sua experiência de quase morte : Eu podia "ouvir" o que o médico estava para dizer, pouco antes dele abrir a boca para falar! - “num tipo de audição extra-sensorial, mente-a-mente, entendendo até mesmo o que as pessoas sentiam.”

E, nesses tipos de relatos, eles diziam que quando eles tentavam responder algo, ou perguntar algo para os médicos ou as enfermeiras, ninguém os ouvia, nem os via. Apesar de suas "consciências" estarem fora de seu corpo material, que estava deitado no leito, eles ainda sentiam estar em algum outro tipo de corpo, não do mesmo tipo do até então, como eu e você o conhecemos, mas de uma outra contextura, que eles mesmos tinham dificuldades em descrever. Após alguns instantes, eles começavam a se afastar, como se isso fosse parte do processo da morte.

Neste ponto, eles começaram a se afastar, o que eu considero como uma parte transcendental da experiência de quase-morte. Eles nos disseram que foram através de uma passagem (um túnel ou algo parecido), e entraram em um reino que, apesar de seus esforços em descrever o que ali existia, estava além da capacidade da linguagem terrena explicar por completo este mundo de outra contextura. 

Isso é o que o psicólogo William James chama de “Experiência Transcendental”. Apesar da dificuldade em descrever com palavras de nossa linguagem aquele ambiente, eles disseram que depois de terem passado pela passagem, eles foram para o “outro lado”, um lugar inacreditavelmente brilhante, aconchegante e luminoso.
Uma psiquiatra amiga minha, que teve uma experiência parecida com estas, disse certa vez : “Raymond, eu poderia dizer “luz”, ou poderia dizer “amor”. Na verdade, não faz a mínima diferença!”

É difícil entender isso em termos literais de nossa linguagem, pois nós pensamos e entendemos “luz” e “amor” como duas coisas diferentes. Mas nesse contexto, e naquele ambiente, as pessoas dizem que um está junto com o outro. Quando há um, o outro também está presente. Continuando a descrição das experiências, elas disseram que quanto mais iam em direção à luminosidade, mais intensa ela se tornava e, apesar disso, elas não se sentiam ofuscadas pela mesma. Seus olhos não ficavam desconfortáveis!

Disseram que, nestas situações, parentes ou amigos que já haviam falecido iam ao seu encontro dando as boas vindas. Eles também disseram que se você vê seu avô, que já faleceu há anos com certa idade, a pessoa que você vê lá, é o seu avô rejuvenescido e com uma saúde perfeita. Você não o reconhece devido a sua aparência exterior, mas o reconhece pela pessoa em si, sua presença, sua vibração.

Conforme a descrição continua, em muitas dessas vivências, uma parte da “luz” parece de concentrar num ponto, e eles tem a percepção de que este ponto é uma pessoa ou ser, um ser repleto de amor. Essa “luz” então começa a crescer até que tudo se ofusque. 

Então eles são envolvidos por um panorama com todos os detalhes de suas vidas, literalmente : todas as coisas que eles fizeram e vivenciaram em suas vidas terrenas estavam em volta deles. Tecnicamente isso é chamado de “memória panorâmica”, onde todas essas coisas estão à volta deles. 

E aqui, mais uma vez, existe a dificuldade de entender este ambiente diferente. As pessoas disseram que essa memória panorâmica não é disposta de forma regular e cronológica, como estamos acostumados com nossas noções de espaço e tempo. Todos esses eventos da vida deles estavam dispostos como um só, simultaneamente!
E quando você vê a si mesmo nesse panorama, você vê a si mesmo com uma perspectiva diferente.

Você não fica restrito em seus próprios sentidos, mas você vê a si mesmo como se fosse outra pessoa. E, por exemplo, quando você vê a si mesmo fazendo uma ação bondosa ao seu próximo, você sente, imediatamente, os bons sentimentos que você proporcionou ao seu próximo.

Da mesma forma, se você vê a si mesmo fazendo algo que prejudique o próximo, então você também sente os maus sentimentos que você causou nas pessoas envolvidas.

George Ritchie, um amigo psiquiatra, que foi a primeira pessoa que conheci que teve experiências de quase morte, disse que o que realmente volta para você é aquilo que estava em seu coração... Sua intenção sincera é o que é devolvida a você naquele momento.

Após um momento, as pessoas disseram que essa “presença de amor” ou “ser luminoso”, que estava próximo a elas, fazem uma pergunta a elas – mas não com as palavras e termos usados em nossa linguagem terrena, que eu e você utilizamos diariamente. 

Tal ser pergunta : “O que você fez ao longo de sua vida que você gostaria de me mostrar?” E se torna imediatamente óbvio, nesse panorama, conforme todos dizem, de um jeito ou de outro, que o que é realmente importante é como você aprendeu a amar."

Dr. Raymond Moody

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