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A Osteopatia, uma terapia viva
Entrevista com Denis Pajot
Denis Pajot é diplomado em osteopatia e membro dos osteopatas da França, onde são reunidos os práticos que seguiram uma formação segundo os padrões internacionais.
A osteopatia é uma disciplina inteiramente à parte, que necessita de vários anos
de formação e um total investimento da parte daqueles que a ela se consagram.
Desde outubro de 2001, a osteopatia foi reconhecida na França.
LG= Denis Pajot, como o Sr.se tornou osteopata?
D.P.= Como muitos práticos de medicina chamadas suaves ou alternativas, eu comecei por obter um diploma de medicina clássica, a de
kinesiterapeuta.
Depois,insatisfeito, o acaso - do qual Einstein dizia "é o hábito que leva Deus a
viajar incógnito" - me levou a acompanhar minha filha Caroline a uma consulta de
osteopatia.
A revelação foi fulminante e foi acompanhada imediatamente do desejo de praticar. Então eu fiz o curso de osteopatia, depois o da medicina tradicional chinesa. Foi assim que eu entrei progressivamente no mundo da energia. A energia é uma informação e movimento, uma força em ação.
Formado pela medicina clássica para não ver senão sintomas, doenças, eu me pus a aprender as pessoas.
LG= A acupuntura e a homeopatia trabalham também sobre as energias. Como o sr.situa a osteopatia em relação a elas?
D.P.= Os três braços da medicina energética que são: a osteopatia, a acupuntura e a homeopatia se unem em sua concepção globalizada do ser humano e me parecem no presente totalmente complementares.
Com efeito, elas se completam, mas não se substituem e haverá frequentemente interesse em função das patologias, em associá-las, a privilegiar uma em função das outras, ou a trocá-las segundo as necessidades.
Mesmo se seus meios diferem, elas têm em comum a possibilidade de abrir as portas e isso é primordial, pois, como ajudar o outro se não se lhes abrir a porta?
Entretanto, como em um convite, certas regras devem ser respeitadas:
É necessário inicialmente um convite, um pedido de uma pessoa responsável.
O convidado, portanto o prático, deverá honrar o convite, respeitando o outro, seu corpo, seus sentimentos, suas expectativas, suas necessidades. Daí a necessidade da escuta e o cuidado de evitar todo domínio de poder.
De sua parte, o hóspede, o paciente, deverá relaxar e colocar-se em plena confiança nas mãos daquele a quem solicita ajuda.
Para dialogar em seguida com as energias do paciente, cada uma dessas medicinas energéticas vai operar com seus próprios sistemas de observação.
Para a homeopatia será uma anamnese, isto é, uma interrogatória sobre o doente e sua história. Para o acupuntor, serão os pulsos chineses. Para o osteopata, o movimento respiratório primário (MRP)...tudo isso conduzido pela intuição.
LG= Qual é, finalmente, o objetivo da medicina energética?
D.P.= O símbolo do homem na medicina chinesa "TIENTIJEN" traduzido por "o liame entre o céu e a terra", o liame entre o universo físico visível e o universo
espiritual invisível.
Pode-se dizer sobre o corpo que ele é uma estrutura mecânica criada e animada pela vida, destinada a permitir ao ser humano comunicar com outros seres e com seu ambiente. Para que essa estrutura funcione, é preciso que as energias interiores estejam em harmonia com as energias da terra e das estrelas. A finalidade da medicina energética é ajudar o indivíduo a manter suas harmonias.
Além do sintoma, o prático energeticista procurará a causa profunda das perturbações do paciente, levando em consideração suas anomalias energéticas do momento, que são função de suas possibilidades, de suas crenças, do tempo que faz, do que ele viveu, de todo o seu relacional, no sentido amplo do termo.
Para aquele que considera o ser humano em sua globalidade, é evidente que há
inter-relação entre os diferentes corpos: físico, mental, emocional e espiritual.
Para esse observador, o corpo físico representa um painel de bordo sobre o qual vão se iluminar os videntes, testemunhos dos problemas vividos nos diferentes planos que nós acabamos de citar. O corpo é o alto falante de nosso inconsciente, pois o que nós não podemos dizer com palavras, dizemos com os males. A doença é o "mal que se diz".
Para a osteopatia, como para as outras medicinas energéticas, a finalidade é a
mesma: a capacidade do corpo para se regenerar, relançar a circulação energética.
LG= Quem diz circulação energética diz movimento. O senhor pode nos falar do movimento em osteopatia?
D.P.= É efetivamente um ponto fundamental. Não se diz que "o movimento é a
vida"...Em um corpo humano, tudo se movimenta em um ritmo de dois tempos, chamado em osteopatia, como já dissemos, movimento respiratório primário (MRP).
Esse movimento tem, como ponto de partida, a mobilidade inerente ao cérebro de se contrair e se distender para fabricar o líquido céfalo-raquidiano.
Essa pulsação rítmica vai se propagar a todo o corpo graças ao sistema crânio-sacro vertical. Esse último religa o crânio e as duas primeiras vértebras cervicais ao sacro e ele é constituído de membranas inextensíveis chamadas meninges.
Para perceber esse movimento, que tem uma amplitude de cerca de 2 microns apenas, pode-se compreender que são necessárias mãos perfeitamente treinadas. Essa leitura feita pelas mãos vai fornecer ao prático uma espécie de foto em três dimensões que revelará a qualidade de energia que anima o indivíduo.
A correção, em três dimensões, também jamais será brutal, o "crac" não sendo nem uma finalidade, nem uma prova de boa correção, portanto jamais indispensável.
Toda a atenção do osteopata vai ser colocada sobre a possibilidade ou existência do movimento, já que tudo se movimenta permanentemente no corpo.
O movimento pode se entravado, ralentado ou bloqueado por causas físicas
(traumatismo, falso movimento), emocionais (medo, preocupação) ou psicológicas (desvalorização de si, angústia), etc. É quando um lugar do corpo se movimenta mal, movimenta-se pouco ou nada, que vai se instalar uma perturbação chamada "funcional".
Esse problema poderá evoluir com o tempo e produzir, localmente ou à distância, um problema mais sério com sintomas.
Já que todas as estruturas do corpo são ligadas, pode-se compreender que o ser
humano é uma unidade e que um bloqueio, seja qual for sua origem, física,mental ou espiritual, pode acarretar uma perturbação em um lugar completamente diferente, sem que nenhuma ligação lógica pareça ligá-los, exceto a inteligência do corpo.
Nossa linguagem já exprime em o que o corpo vai dizer com expressões familiares, tais como: eu estendo as cortas, não suporto o pescoço, isso ficou no
meu estômago, não o digeri, isso me golpeou as pernas, estou sobre os joelhos,
aceitei de olhos fechados...
É pois importante prestar atenção nas palavras pronunciadas e intervir antes que os males cheguem, pois o ser humano é bem consciente. Suas células guardam a memória da boa posição, bem como do traumatismo e do caminho que foi percorrido entre os dois.
Todo o trabalho do osteopata será entrar em relação com as zonas perturbadas para saber como, em qual sentido, elas foram perturbadas e acompanhá-las manualmente em direção ao equilíbrio e à saúde, antes que o corpo não se ponha a falar.
A linguagem do corpo, é o incômodo ou a dor. O corpo é feito para se adaptar a tudo o que lhe aconteça, porém a dor chega quando ele não pode mais se adaptar, quando ele é ultrapassado. Ele é, então, como um vaso que transborda. Mas, antes de fazê-lo transbordar, foi preciso enchê-lo. Tomemos o exemplo de um senhor que se fez um lumbago (dor reumática na região lombar) pegando um papel! As questões colocadas acabaram de demonstrar que um de seus colegas o tinham traído e que ele não havia "digerido" esta traição.
Liberando a zona bloqueada, vamos liberar a energia, permitir de novo sua passagem e assim liberar o corpo físico não apenas de sua dor, mas também, com o tempo, o bloqueio mental ou emocional que lhe corresponde.
O simples fato de ter religado esses dois acontecimentos, aparentemente tão
diferentes, vai permitir ao corpo fazer seu trabalho de limpeza. Eu considero que
faz parte de meu trabalho ajudar a compreender por que, depois quando...para
desembaraçar o fio.
LG= E é, portanto, aí que intervêm o respeito e a confiança, que vão permitir ao
paciente relaxar a resistência e se abrir, se é que se pode dizer, corpo e alma?
D.P.= Em uma relação terapêutica, o abandono de resistência é indispensável, tanto para quem cuida, como para quem é cuidado. O terapeuta é ator, graças aos seus conhecimentos, mas ele não é senão um traço de união, um canal entre o paciente e seu duplo ideal, arquétipo das forças cósmicas.
Entretanto não é senão o abandono da resistência, a posição neutra, o ponto morto, que o terapeuta pode perceber o que deve ser feito no momento.Nem mais, nem menos. É aquele que vem consultar que tem as chaves de sua própria saúde, não o terapeuta, que não está lá senão para tornar possível a alquimia.
De seu lado, o paciente deve abandonar a resistência, pondo de lado seu ego,
participando com toda a honestidade e esforçando-se por compreender a mensagem que o terapeuta tenta lhe transmitir. Ao longo de uma atenção, há, pois, troca de energia graças ao abandono da resistência.
O sofrimento está sempre na resistência, pois é ela que alimenta as energias
negativas. O amor é o abandono da resistência, que permitem as trocas harmoniosas, para que se realize o que deve ser, engendram a saúde.
LG= O senhor fala de trocas harmoniosas. Parece evidente que elas fazem parte
integrante desta lei natural fundamental "o dar e o receber" (Lei da Reciprocidade). Como isso acontece entre o terapeuta e o paciente?
D.P.= "Pedi e se vos recebereis, batei e se vos abrirá". Para receber é preciso
pedir. Um cuidado em medicina energética se situa fora das veredas percorridas. Ele precisa de um pedido pessoal e um esforço financeiro.
Da parte do paciente, o pedido é bem real. De seu lado, o terapeuta oferece suas competências e seu desejo de aliviar. Segue-se um encontro ao longo do qual cada um terá a possibilidade de se enriquecer através do outro...não foi senão através da felicidade de se conseguir chegar a um resultado!
LG= Segundo o senhor, qual lição fundamental podemos tirar de tudo isso?
D.P.= O corpo é o veículo de nossa alma na terra, e isso a exemplo do painel de
bordo de um automóvel, videntes vão se iluminar para nos assinalar uma disfunção.
Como para um veículo, não é suficiente cortar o fio de contato da lâmpada
testemunha para resolver o problema. Esquecer essa lógica mecânica conduz a ineficácia terapêutica, pelo menos para as perturbações mentais com as quais o
osteopata se ocupa.
Pode-se dizer que a doença é a única solução que o corpo encontrou para que a pessoa continue a existir. Assim, de fatalidade, a doença torna-se oportunidade a agarrar, mensagem a decodificar, para nos servir e não para nos oprimir.
A tomada de consciência é para mim um momento essencial do tratamento. Com efeito, o que pode servir suprimir uma doença (doce artifício) se seu proprietário não compreende o que ela veio lhe dizer? Seguramente, a compreensão pode-se fazer em diferentes níveis, em função também da demanda, porém minha concepção da unidade do ser torna, para mim, a tomada de consciência indispensável. A cura, se ela existe, não pode se fazer senão sobre todos os planos do ser e não apenas sobre o plano
físico.
Se se aceita o fato que a energia segue o pensamento, compreende-se bem que se é responsável por tudo que nos acontece e é o que torna a tomada de consciência tão rica de ensinamentos. Tem-se agora o direito de se interrogar sobre as estruturas legais de nossa sociedade que visam muito
freqüentemente desapossar qualquer um de sua responsabilidade.
Os medos de todas as espécies, incessantemente difundidos, servem para alimentar uma ilusória "seguridade social", pois o medo engendra nesses que o sentem pensamentos muito negativos, quedas, pré-lesões osteopáticas ou não, que farão aparecer sintomas precisos. Não é já o tempo de recuperar nossa responsabilidade, a responsabilidade de nosso corpo, de nossa vida?
O que precede vem confirmar que a cura não está jamais nas mãos de um prático, seja ele quem for, mas nas mãos de cada um. Para terminar, eu gostaria de citar Andrew Taylor Still * fundador da osteopatia: "não compete ao prático curar o doente. Seu papel é ajustar uma parte ou o conjunto do sistema, a fim de que as correntes vitais possam aí se restabelecerem e irrigar as partes afetadas."
LG= Nós lhe agradecemos por tudo o que o senhor nos concedeu e lhe desejamos muita sorte em seu trabalho.
Entrevista colhida por Monique Giraud
* Andrew Taylor Still, (USA, 1830-1917) médico, cirurgião e pastor.
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